Quem sabe, um dia, consigamos aceitar que Armando Nogueira não era eterno.
Seu corpo se foi, após dois anos de uma luta desigual com o câncer, mas seu legado continua infincado no chão desta terra. Armando é sim imortal. Seu coração parou, mas sua poesia continua pulsando como um coração de criança.
Nesta segunda-feira , o maracanã, acostumado a ser palco de comemorações e a tremular bandeiras multicoloridas, amanheceu tingido de preto. Preto de luto, ou talvez, preto do Botafogo. Time do coração de Armando. A tribuna de honra do estádio esqueceu os gols e as belas jogadas feitas com os pés, e fez reverência ao craque das palavras, velado no local.
Hoje, no último adeus, ultraleves sobrevoaram o cemitério e as centenas de pessoas que acompanhavam o sepultamento do jornalista esportivo aplaudiram o mestre, e entoaram o hino do Botafogo.
Armando se vai e deixa inúmeros seguidores, que jamais irão se acostumar com a ausência de um gênio, que transferia para o papel a alma do esporte.
terça-feira, 30 de março de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Decepção e Esperança
As coisas não saíram como deveriam e nem como os vascaínos esperavam. Após longos anos de jejum o vasco estava de volta a uma final. O fraco botafogo, sapecado com seis gols no último clássico, não seria empecilho para o gigante da Colina erguer a taça de campeão.Vasco e Botafogo estavam na final, apesar dos sádicos estufarem o peito e atribuírem à sorte a presença desses times na decisão. Flamengo tinha o império do amor, Fluminense tinha Fred, mas o Vasco tinha Dodô e o botafogo (segundo a torcida alvinegra)) Loco Abreu, apesar do jeitão desengonçado. Mas não vou entrar nesse mérito. Confusão de torcida e opinião de comentarista parcial.
Confesso que a minha autoconfiança, como vascaína, extrapolava o limite aceitável para uma partida de futebol, onde favoritismo, sobretudo num clássico, não existi e é um passo para a derrota.Começou o jogo. Ao apito do árbitro vi a minha prepotência se esvair. As unhas iam diminuindo a casa lance, a cada segundo passado. O fraco time do Botafogo não ofereceria nenhum risco, caso a apatia, nervosismo, e mau futebol do Vasco não estivessem tão latente.
O vasco jogou mal e Nilton, aos 25 minutos do segundo tempo, resumiu numa entrada desleal a postura de todo o time. Total descontrole psicológico.
Agora é engolir o sapo e esperar dias melhores. E que eles venham semelhante aos áureos tempos da década de 90.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
É pouco

Na última rodada do Campeonato Brasileiro, os atos de vandalismo praticados pelos “torcedores” do Coritiba mancharam o futebol e a história do Coxa. Pouco se falou do rebaixamento do time de Campinas. A tristeza dos verdadeiros torcedores foi sufocada pelas pedras atiradas e agressões feitas à pessoas inocentes.
A partir de então, todos começamos a cobrar uma punição severa aos vândalos e ao próprio Coritiba. Mas será que o clube merece pagar pela atitude de alguns torcedores? Punir o clube significa punir toda a sua torcida. Não apenas os que invadiram o campo, lançaram bombas e barras de ferro como se lança pétalas de rosa, e feriram pessoas que estavam ali apenas para torcer.
Sim, durante algum tempo defendi a idéia de que não é justa a punição ao clube, mas a premissa milenar ainda persisti. “Os justos pagam pelos pecadores”.
Infelizmente, vivemos em um País em que a expectativa de impunidade é muito maior do que o medo de uma condenação. Apoiados na falta de punição, “torcedores” cometem atos cada vez mais insensatos, criminosos ficam ainda mais descarados, políticos roubam o dinheiro público como se fôssemos todos patetas.
Diante disso, é sim justa a punição ao clube. Os verdadeiros torcedores são capazes de entender que castigar o clube é castigar também esses “energúmenos (sem o perdão da palavra)”.
Em julgamento realizado pelo STJD, ficou decidido que o Coritiba sofrerá a perda de 30 mandos de campo e multa de R$ 610 mil.
É o suficiente? Sinceramente não. Não jogar em casa só vai tirar as famílias dos estádios. Os responsáveis por toda aquela algazarra irão onde o Coritiba estiver, e não serão, em nenhum momento, importunados.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Primeiro tiro nas Olimpíadas

Os últimos acontecimentos envolvendo traficantes e policiais no Rio de Janeiro pôs em dúvida a escolha da cidade como sede dos jogos Olímpicos de 2016. A guerra entre morros cariocas e a interferência policial causou a morte de, até o momento, 24 pessoas. O suficiente para abarrotar os jornais internacionais com dúvidas acerca da capacidade do Rio de Janeiro em receber um dos eventos mais caros do mundo. Cidades como Madri e Chicago, derrotadas na escolha da cidade-sede, explicitaram em suas publicações as amarguras pela derrota. Perfeitamente aceitável, não por entender que perder nunca é bom, mas por saber que as indagações quanto a segurança durante os jogos são plausíveis.
Na Espanha, o caso foi destaque no jornal El País: “Grupos delinquentes, fortemente armados, o que preocupa bastante as autoridades cariocas, principalmente tendo em vista os Jogos Olímpicos de 2016”.
O Jornal The Independent não poupou críticas e afirmou: “Os eventos do fim de semana são um constrangimento para um governo que mal acabou de celebrar seu sucesso ao vencer a candidatura olímpica”.
Infelizmente, a maravilha da cidade maravilhosa, se limite as demarcações da orla carioca. O famoso calçadão de Copacabana, o Cristo de braços abertos no alto do morro, o pão de açúcar, a mulata passista......
O Cristo do alto do seu pedestal assiste a tudo, enquanto os moradores da cidade sentem na pele o outro lado da “maravilha”. O fuzil, sei lá que número, a bala que atravessa de norte a sul e atinge alguém que não tem nada com aquilo, o medo de assalto, ônibus incendiados. A população carioca é soldado passivo na guerra do tráfico.
São sete anos. Em 2016 o Rio tem que estar diferente. Não é mais uma questão de desejo, mas de obrigação. Em meio a crise, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, fez a sua primeira viagem internacional visando obter investimentos para os Jogos. Em Londres, foi bombardeado por questões sobre a segurança e tentou acalmar o publico europeu. No momento, deve-se acalmar não os europeus, mas os brasileiros. Não com palavras, mas com ação.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Rubinho tentou, mas Jenson Button é o Campeão do Mundo

O final poderia ter sido diferente, até mesmo feliz. Rubens Barrichello havia presenteado, no dia anterior, os brasileiros com a primeira colocação no treino classificatório. Sagazmente arrancou, com o tempo já zerado, a poli. Vimos o brasileiro que ainda lutava pelo título, embora não dependesse apenas de si, largar na primeira colocação e seu adversário direito e companheiro de equipe, Jenson Button, no fim do grid. Era apenas o 14ª.
Era o roteiro perfeito para contrariar os sádicos que continuavam duvidando do talento do piloto com o maior número de GPs disputados. O resultado já estava na boca de todos. Rubinho venceria e marcaria dez pontos. Button não pontuaria e a diferença cairia para quatro pontos. Mesmo correndo o risco de não sediar a festa do campeão mundial, São Paulo e os torcedores que ali estavam torciam pelo adiamento da festa pelo título em detrimento da vitória de Rubinho.
O que estava previamente traçado caiu por terra quando as luzes vermelhas se apagaram e na primeira curva, em decorrência de acidentes, Button pulou para a nona posição. A sorte que sempre faltou a Rubens Barrichello não abandonou, sequer por um instante, o campeão.
Rubinho largou bem, manteve a ponta, mas não fez na pista o que precisava para, após as paradas nos boxes, sustentar a primeira colocação. Na terceira colocação, longe da vitória e perdendo o título mundial com o 6ª lugar de Button, ainda teve tempo para o terceiro e inesperado pit stop. O pneu furado do carro de Rubens Barrichello foi à consagração de Jenson Button, que desde o principio mostrou que o ano de 2009 já tinha um campeão.
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