sábado, 19 de abril de 2008

Guga brilha, mas se despede do Brasil

Na manhã do dia 8 de junho de 1997, surgia para o Brasil e para o mundo Gustavo Kuerten. Naquela época, era apenas um garoto franzino e de cabelos arrepiados, um intruso que tentava se aventurar no saibro de Rolang Garros.

Aquela manhã se encarregou de apresentar Guga ao mundo. Não estava nem entre os 50 melhores tenistas, mais derrotou o espanhol Sergi Bruguera por 3 sets a 0 e conquistou o seu primeiro Grand Slam (conjunto dos quatros torneios mais importantes do circuito). E era só o começo.

A esquerda certeira e o sorriso acolhedor conquistaram os amantes ou não do tênis. Nos anos seguintes Guga alheio a pressões continuou mostrando porque merecia o título de melhor tenista brasileiro e desde 97 quando venceu Rolang Garros, e nos oito anos seguintes, nunca passou um ano sem levantar um troféu. Esse feito fez de Guga o 32ª na história em número de títulos.

Se o ano de 1997 se encarregou de apresentar Guga ao mundo. Os anos de 2000 e 2001 encarregaram de firmar o seu nome no hall dos grandes tenistas de todos os tempos. E mais uma vez Rolang Garros era uma importante peça da engrenagem Guga. Em 2000, mais uma vez como campeão do principal torneio de Grand Slam disputado sobre o saibro, Guga terminou o ano como número um do mundo e entrou para a história. Era o primeiro Sul-americano a conseguir tal feito.

Após tantas conquistas, o destino pregou uma peça. No final de 2001, problemas físicos levaram Guga a realizar no ano seguinte a primeira de duas operações no quadril. Operações, que ele ainda não sabia, mas que o levariam mais tarde a abandonar as quadras.

“Não é que eu não quero, é que não consigo mais” Disse Guga no torneio da Costa do Sauípe após uma derrota.

A esquerda não é mais a mesma, mas o sorriso acolhedor e o jeito vibrante de jogar permanecem intactos.

Na última quinta-feira, 17, Guga de despediu do Brasil. No aberto de Santa Catarina, em Florianópolis, enfrentou o seu conterrâneo Franco Ferreiro e perdeu por 2 sets a 0. Com parciais de 7/5 e 7/6. Num jogo arrepiante, Guga mostrou que um verdadeiro campeão nunca perde o jeito de jogar. É como aprender a andar de bicicleta e nunca mais esquecer. Nos fez lembra que aquela esquerda que disse, logo acima, que já não era mais a mesma, permanecia potente e capaz de derrubar qualquer adversário. Com a alegria que lhe é peculiar, o ex número 1 do mundo curtiu cada momento e lutou durante todo o jogo. O que nos fez lembrar os velhos tempos. A derrota não esmoreceu o público, que durante toda a partida vibrou e aplaudiu com a força e exaustão que ele merece. Gustavo Kurten não venceu, mais os aplausos foram dignos de um campeão.

“Foi além de qualquer expectativa que eu tinha. Eu me senti como nos grandes momentos. Jamais esperava que fosse jogar tão bem” - disse Guga.

No Brasil, a missão está cumprida. Guga agora irá levar um pouco da sua descontração ao povo do velho continente. O adeus definitivo acontecerá em Paris, no torneio que o consagrou, Rolang Garros. Antes, disputará o Masters Series de Monte Carlo e no ATP de Barcelona.